manchinha

Julho 08 2005
mesmo nas massas operárias isto sendo a malta que trabalha e gasta logo o que ganha e por isso não tem contas a render nos bêpêás deste mundo e logo vem o jorge dos arbustos após os puns dizer com ar dorido e fato de mil e quinhentos dólares que é uma vergonha fazerem estas coisas quando eles estão assim reunidos para combater a pobreza em áfrica claro que assim até eu combatia num hotel nos verdes pastos escoceses com água engarrafada criadagem e segurança a acordar ao som dos faisões escoceses mas eu só pergunto se ele está numa boa coitado se faz ideia da imagem que dá assim bem comido e bem bebido e bem tratado a falar da pobreza em áfrica e depois a permitir que a naike dos
ténis e das bolas de futebol encomendem a sua mercadoria nos armazéns de chão de terra batida da indonésia e outras orientalidades onde um operário custa por ano dezoito dólares aos grandes estrategistas económicos do ocidente sim porque assim eu também sou uma ganda estratega a pagar a um gajo que come arroz e bebe água e chá todo o ano o que dou aqui por uma rodada de hamburgueres fast food com brinde em bonequinhos da disney incluído por isso o terrorismo ganha sempre porque é impossível manter a face muito tempo e é um desgaste e depois porque é ajudado pelos outros arbustos que só estão à espera que chegue a vez deles para irem para as cimeiras claro está que com o que ganham num ano já se podiam reformar compulsivamente que não só não passavam
fome o resto da vida como ficam com dinheiro suficiente para pagar os melhores tratamentos contra a obesidade a diabetes adquirida e as coronárias do colesterol claro está e isto medido pelos dezoito dólares por ano de um anónimo operário fabril do oriente faz-nos pensar lá isso faz sobretudo quando o oriente tem tanta gente se pensarmos que um por cento pode ter tendências terroristas por estar enjoado de arroz e chá digam-me lá se não nos faz pensar e o que é que isso tem que ver com as vítimas das bombas ou dos suicidas ou lá o que é rigorosamente nada porque esses são danos colaterais que o que
interessa é como as empresas de estudos de mercado e consultoria dão a volta ao texto e transfomam tudo em mais dólares em shows de televisão em horas e horas de noticiários com gente esfacelada debaixo de cacos de edifícios comboios e carros e montes de ambulâncias caramba até poque os fatos dos bombeiros dos socorristas e dos polícias ficam bem que se farta nos filmes gritantes de cor ao lado de gente coberta de cinza e sangue deuses como a linguagem da cor funciona ó se funciona e que é que interessa que o terror passe à hora do jantar e as crianças sejam educadas assim ao som das sirenes e
dos alarmes como nos filmes americanos quem é que se lembra dos duzentos e cinquenta mil que morrem todas as semanas pelo menos à fome e privados quem é que os conta são tantos que nem vale a pena perdermos tempo que a morte às toneladas é como a gordura dos hamburgueres deixa de ser metabolizada pelo organismo e às tantas o melhor é mudar de canal vê lá se está a dar algum filme para ver se a gente descansa desta desgraça toda
publicado por manchinha às 09:35

Sim, tudo isso é consequência da inenarrável indiferença. E a indiferença é tanta que até o diálogo não é mais que um meio passado de moda que até nem lembra.
Está em marcha uma nova invasão merecida dos que falam babaru babaru e procuram, como nós, o direito a mudar de vida. Mas o Império prossegue tranquilo na sua abastança apoiado no brilhante foguetório. Há condições suficientes para que não fique pedra sobre pedra. Esperemos que ao menos os novos que falam babaru babaru tenham alguma esperteza-- que tudo é tão claro que nem exige grande sabedoria. Nestes a minha esperança não é sequer uma diminuta luz. Não creio que haja tempo para emendar o soneto, de tal modo o corrompemos. Mas a poesia continua a ser, sempre será, o meu destino. Pilantra
(http://samartaime.blogs.sapo.pt/)
(mailto:samartaim@yahoo.com)
Anónimo a 8 de Julho de 2005 às 11:07

manchas negras, cinzentas e brancas em todos os cantos da nossa vida. que fazer senão chocar de frente com elas e esperar que o acidente tenha consequências notáveis?
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