manchinha

Agosto 29 2004
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Eu cá maravilho-me com tudo o que é brinquedo, adoro o Toy’s R Us e todas as lojas de brinquedos, livros infantis e até a quinquilharia que se descobre nas feiras, nos trezentos, nos supermercados, nas papelarias. Ainda bem que odeio colecções…

As bonecas, no entanto, nunca foram a minha praia, muito menos as barbies, objecto de devoção das minhas irmãs, mais tarde transformado numa espécie de punição pessoal pelo interposto amor que lhes dedicava a minha filha. A criatura não só herdou a colecção das tias, como parecia receber a visita de um mensageiro divino de cada vez que uma nova barbie aparecia no mercado.

A convivência forçada com dezenas de perfeitas e esculturais ‘american girls’ acabou por baixar os braços da minha resistência às prateleiras de barbies, vestidos, sapatos, adereços – às tantas apareceu uma espuma moldável que se colava como chiclete em tudo em que caía… - e infindos debates sobre o que era bom e mau para as criaturas.
Acabei mesmo por desenvolver uma certa simpatia pelas bonecas e até dei por mim a defendê-las do cão que também nutria uma paixão imbecil por elas, do aspirador que engolia as escovas, os brincos e os cintos, etc.

Apesar de toda a minha antipatia inicial, nada me fazia suspeitar do passado obscuro do ‘role model’ de todas as garotinhas.

Por acaso, fiquei a saber que a ‘american girl’ tem nome completo e data de nascimento: Barbie Millicent Roberts, nascida a 9 de Março de 1959. E não é tudo.

Os senhores da Mattel, dando provas de grande profissionalismo e conhecimento das minúcias do marketing, compuseram-lhe uma biografia completa: pais, irmãos, escola primária e secundária perfeitamente identificadas (Willows High School em Willows, no Wisconsin – e aqui é preciso realçar que a pikena é uma eterna estudante liceal, o que não a impede de prosseguir carreiras como médica, astronauta, piloto do NASCAR e modelo adolescente, claro), montes de amigos e o incontornável namorado-Ken, brevet de piloto (quando não exerce as funções de hospedeira), 38 animais de estimação – gatos, cães, cavalos, um panda, um leãozinho bebé e uma zebra – e vários descapotáveis cor-de-rosa, atrelados, etc.
Escavando um pouquinho mais, acabei por me deparar com mais umas quantas informações úteis. O nome é um diminutivo de Barbra Handler, filha de Ruth Handler e Elliot Handler, fundadores da Mattel. A Ruth (quanto a mim a verdadeira Barbie), reparou que a filha gostava mais de brincar com bonecas do que com as amigas. E aquilo martelou-lhe a cabecinha, não sei se por mor do rebento, se por puro instinto comercial.
O que é certo é que, numa viagem à Alemanha, descobriu a boneca, a Lilli, que comprou para a filha e transformou para a Mattel. A Lilli era loura (como a Marlene D. que lhe terá servido de inspiração), mas virou morena na Mattel (nessa altura os americanos tinham um fraquinho pelas morenas que mais tarde veio a legitimizar-se na pessoa da Jacqueline Kennedy que, aliás, serviu de modelo a parte da filosofia da ‘american girl’). A boneca foi apresentada a 9 de Março de 1959 (olha… nasceu uma estrela!) na Feira de Brinquedos anual de Nova Iorque.
Acontece que a Lilli original, era na realidade uma personagem ousada (isto é um eufemismo, compreendam….) de uma banda desenhada criada pelo senhor Reinhard Bentheim para o ‘Das Bild’, e vendia-se na Alemanha desde 1955. Mas era comercializada para adultos e não para crianças. Como diz a senhora M. G. Lord em ‘Forever Barbie: A Biografia Não Autorizada de uma Verdadeira Boneca’, que descreve a Lilli original como um ‘gadget’ masculino, uma boneca/personagem pornográfica.
Portanto, a Barbie é, afinal, apenas mais uma quarentona com dinheiro para as plásticas rejuvenescedoras e com uma infância desprivilegiada passada no ‘bas fond’ da velha Europa à imagem e semelhança das crianças prostitutas tailandesas. A senhora Ruth serviu esplendidamente a causa da barbificação da mulher para gozo único e exclusivo do paternalismo masculino de contornos desviantes e propósitos inconfessáveis.

Isto não é novidade, mas…
publicado por manchinha às 15:20

Pois é, Manchinha!...Pilantra
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Anónimo a 23 de Setembro de 2004 às 13:51

meccanos! olha, eu também. parecia um sucedâneo do da vinci com dislexia a montar máquinas improváveis... ah...Manchinha
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Anónimo a 23 de Setembro de 2004 às 09:37

Na nhôra... tinha meccanos e coisas assim e no colégio tinha tinha montes de meninas...Pilantra
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Anónimo a 20 de Setembro de 2004 às 21:30

estiveste bem, aNa, claro... ;)
ó Pilantra, átão ficaste com os bonequinhos vestidos à marujo???Manchinha
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Anónimo a 20 de Setembro de 2004 às 00:57

eu descobri a minha verdadeira vocação para bonecas já era adulta! mas como já era adulta e ficava mal brincar com bonecas de brinquedo, dediquei-me às de carne e osso :))) (não tenho bem a certeza de ter estado bem neste comentário!)aNa
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Anónimo a 10 de Setembro de 2004 às 17:25

Eu também desconhecia bastante, embora detestasse e deteste a Barbie! Aliás, não tenho a mais pequena ideia de alguma vez ter brincado com bonecas apesar de ter tido... duas! O meu pai era da marinha mercante, sempre encontrou outras coisas para me dar, felizmente!Pilantra
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Anónimo a 8 de Setembro de 2004 às 17:31

As coisas que uma pessoa aprende! Eu bem me parecia que havia qualquer coisas de falso na Barbie! ;)Teca
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Anónimo a 31 de Agosto de 2004 às 17:06

ainda bem que te serviu de informação. depois da 'escavação' fiquei com a impressão que toda a gente sabia, menos eu... ;-)Manchinha
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Anónimo a 31 de Agosto de 2004 às 10:47

grande trabalho de investigação, manchinha!!
quem diria os contornos que a história da Barbie encerra!aNa
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Anónimo a 30 de Agosto de 2004 às 15:42

manchas negras, cinzentas e brancas em todos os cantos da nossa vida. que fazer senão chocar de frente com elas e esperar que o acidente tenha consequências notáveis?
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