manchinha

Junho 23 2005
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empilharam-se-me dúvidas existenciais logo no início desta semana sendo que me preparava para apanhar o autocarro para a cidade a partir da remota localidade em que actualmente me situo e eis senão quando uma dessas renaults minúsculas com aspirações a transportadoras de carga branca e alva como um electrodoméstico se amansa à minha beira o piqueno lá dentro fazendo-me sinais com a cabeça que a princípio até julguei que fossem tiques daqueles que as pessoas têm e com eles parecem que estão a fazer coisas cheias de sentido mas afinal não é só um reflexo condicionado por elas próprias e este era uma coisa semelhante mas vim a perceber ao cabo de uns momentos de natural confusão que não que o que ele estava a fazer era afinal um convite para eu ir para os pinheiros com ele imagino que para as coisas que as piquenas fazem com os piquenos nos pinheiros e às vezes até tenho alguma curiosidade e não me importava de ser mosca para ouvir uma dessas conversas ó filho queres que te bata uma ou coisa semelhante e calculo que ele logo a perguntar quantos euros claro está que um homem não espera que lhe façam nada de graça até porque se fosse não tinha piada há sempre um valor intrínseco numa puta que se faz pagar pelo trabalho que tem suponho que isso é uma linguagem de facílimo entendimento para os homens olha lá o que é que tens para a troca e quanto é toma lá dá cá deve ser por isso que arreiam forte e feio nas mulheres em casa que não lhes exigem um chavo e ainda agradecem o dinheiro para o cabeleireiro e para a pedicura depois de passarem o dia inteiro a esfregar e a passar a limpar e a cozinhar mas não se fazem cobrar pois não podem ter valor claro está isso é óbvio por isso que diferença é que lhes faz levarem umas porradas para se porem fora do caminho ou só porque quando um homem chega a casa e não lhe apetece mais nada de especial está ali aquela parva e então arreia-lhe claro que é o que elas fazem pôr-se à frente deles só para os irritarem quando tudo o que querem é que façam lá o trabalho delas e desapareçam que uma pessoa tem mais o que fazer do que estar sempre a olhar para um mamarracho suado e esbaforido a vassourar pela casa fora caramba ele há limites para a intrusão e às vezes nem sequer se consegue ver o caraças da televisão em paz sem haver um grito olha o comer tá pronto olha que daqui a nada dá a novela olha que chatice ter uma praga destas logo em casa pois não há-de um homem perder a tramontana e calar aquela fonte geradora de ruído mas voltando à vaca fria o piqueno estava para ali com os tiques a convidar-me e eu a olhar para ele ainda sem querer perceber que eram menos cinco minutos que as dez horas da manhã e aqui onde moro ele é só famílias e gente pacata não se vai pensar logo assim que esta gente anda aos pulos na mata a fazer sabe-se lá que poucas vergonhas até que eu lhe fiz sinal para ele ir andando sim circula meu que ainda perco o autocarro à conta da distracção e ele acabou por se afastar uns metros mas nada de desistir isso não que ele estava com uma fezada que eu era o número de sorte dele na segunda-feira pronto lá ficou um pouco mais à frente na renault electrodoméstica a piscar dos dois lados à espera que eu fosse ter com ele claro que dúvida é que podia haver só se eu fosse completamente parva é que não percebia a sorte que tinha de ter ali o senhor silva a escolher-me para ir para a mata com ele logo pela manhã e se calhar ainda a pagar-me uns trocados que isto com os euros anda mal é uma relação difícil tá claro e que lá fé não lhe faltava isso era uma coisa inquestionável porque ficou para ali com os piscas a cintilar até vir o malfadado autocarro atrasado contra o hábito tá-se a ver que quando a gente está desconfortável é quando eles parecem estar de bem com a eternidade e não ter pressa para nada e olhem que nem sabia bem se havia de me sentir lisonjeada por ter um convite daqueles logo pela fresquinha ou se havia de me pôr à frente do espelho a ver se me faltava algum dente se por acaso qualquer um me poderia confundir naturalmente com uma dessas prestáveis senhoras de avantajada idade que também andam a trabalhar aos pulos nas matas ou coisa que as valha eu cá não uso maquilhagem mas vá-se lá saber se não é isso exactamente que lhes dá pica e como estava de fraldas de camisa para fora cabelo a pingar que não me deu jeito usar o secador e acordar o resto da casa e ténis e calças de ganga vão lá ver ainda me confundiu com algum dos piquenos que anda por aqui agora a vender favores que agora é moda eles venderem essas coisas e os senhores de posição comprarem essas coisas e até aqui no portugal remoto se vê disso muito mais que das senhoras desdentadas que vão para o pinhal de qualquer modo no conjunto é humilhante digam lá que não é começar a semana assim com o senhor silva à espera que lhe trate do coiso que é outra coisa que eu acho de evidente menoridade no segmento masculino é estarem sempre à espera que lhes tratem do coiso caramba nem grandes se desenvencilham da mania de esperar que lhes façam tudo numa espécie de inaptidão social que os transforma nas tais crianças grandes que algumas pessoas têm tanto gosto em enunciar que raio de gozo é que dará ter um mastronço de um adulto sempre pendurado em alguém para uma série de coisas ó senhor silva compre um tijolo que sempre lhe dá o mesmo gozo e fica ao preço da chuva homem que raio
publicado por manchinha às 09:32

Junho 15 2005
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a minha vida dava um lápis digo-vos eu que já experimentei andar para aí a riscar e o resultado foi escandaloso digo-vos só que nem todos os lápis estão para isto aviso-vos que
os mais macios partem-se com facilidade os mais rijos fartam-se de ferir o papel é um
desespero e depois nem todas as borrachas servem para emendar e algumas ainda borram mais do que apagam outras dão completamente cabo da textura da folha rebentam com tudo é horrível olhar assim para uma página e ver feridas e lesões por todos os lados manchas e cicatrizes coisas de páginas doridas de tanto risco e desrisco olhem lá já agora de que cor havia de ser o lápis da vossa vida que o meu é um estafermo de um camaleão não consigo fixar-lhe a cor se bem que o azul seja o que mais me calha embora o amarelo também se farte de aparecer e o verde o roxo é que é mais raro mas o vermelho jorra-me naturalmente o castanho é mais quando preciso de ter os pés assentes no chão e faz-me falta assim como a terra quando é castanho-avermelhado e tem aquela força toda aí pareço quase um foguetão desses com os dois tubos de hidrogénio combustível como os que lançam o space shuttle e a bem dizer shutle não falta na nossa vida já pensaram bem os encontrões que a gente leva é só shuttle daqui para ali e shuttle dali para aqui parece que não se cansa o raio da vida deve ser a única coisa que não se cansa porque às pessoas vejo-as todas cansadas mesmo as que andam apaixonadas agora também andam cansadas e eu que julgava que a paixão atirava ao ar o cansaço que a gente só se cansava era de ser feliz com a paixão e essas coisas mas não agora anda cada vez mais gente cansada até as apaixonadas ó meninas digam-me lá então de que cor é a vossa paixão perdão estava nos lápis e agora saiu-me a paixão mas também pode ser que a minha paixão também dava um lápis mas a bem dizer seria assim mais uma caixa com as cores todas que a paixão tem destas coisas nasce sempre com o dito cujo virado para a lua a rebrilhar de riqueza ó céus paixão pelos lápis ou lápis-paixão digam lá se a vossa vida não dava igualmente um lápis e digam-me então de que cores quanto aos riscos é que são elas que são finos e grossos e muitos ou poucos há tanta variedade que nem sei digam lá vá a ver se agente se entende e se define assim a vida ou a paixão pelos lápis que dão se é que há lápis para tanta coisa mas claro que há só estou a desafiar-vos a ir até aos limites não sejam tímidas andem mexam-se e risquem-me lá essa paixão em tons violentos mornos frios ou duros como queiram mas risquem por amor de deus risquem e muito que o que falta aqui é aquela coisa da vibração como dizia ainda hoje uma senhora na televisão que a gente não percebe mas tá sempre a captar vibrações dizia ela eu cá fico-me pelas paixões e pelos lápis pois então que as tais vibrações eram um tanto para o confusas que eram boas ou eram más mas de qualquer forma a gente não percebe pronto e a modos que fiquei com a ideia que passamos pela vida a apanhar as vibrações dos outros e sem dar por ela e até me arrepiei só de pensar que afinal a vida não é minha é das vibrações e as vibrações são dos outros portanto a vida nunca é minha com mil raios afinal o que é que a gente anda cá a fazer fico-me pelo lápis que sempre é mais simpático pelo menos risca à minha maneira e se imita ou se capta é lá com ele fico-me pela lapiseira se me ponho a pensar e chego à conclusão que não me serve pronto
publicado por manchinha às 15:11

Junho 13 2005
e se de repente quinhentas mulheres invadissem a assembleia da república num arrastão político pelos seus direitos obviamente alienados e se de repente quinhentas mulheres invadissem o conselho de ministros num arrastão obviamente inspirado na tirania dos dirigentes masculinos sobre uma população maioritariamente feminina e menorizada pela minoria do fatinho escuro e se de repente quinhentas mulheres invadissem o palácio de são bento e arrastassem com elas todas as gravatas fatos e camisas sapatos e botões de punho do senhor primeiro ministro e se de repente um arrastão de quinhantes mulheres varresse a assembleia geral do banco de portugal do bcp e da caixa geral de depósitos e colasse post-its cor-de-rosa em todas as agendas todas as cadeiras todos os monitores de computadores e todos os livros de protocolo e se de repente um arrastão de quinhentas mulheres invadisse os conselhos administrativos da fundação gulbenkian da tap air portugal da fundação mário soares dos vinhos do porto do ministério dos negócios estrangeiros e do estadoi maior das forças armadas da administração do porto de lisboa das esquadras da psp e do centro cultural de belém e se de repente um arrastão de quinhentas mulheres invadissem de forma coordenada e concentrada as ruas dos seus bairros e oferecessem beijos flores e sorrisos e dissessem vá lá senhores temam-nos que senão vão por arrasto não nos provoquem que se um bando de putos descontentes e com perfeita noção da impunidade de que gozam os nossos governantes está também a adormecer-lhes a capacidade de tomar decisões digam-me lá então se quinhentas mulheres em vários grupos de cinco centenas decidirem de repente arrastar-vos pelas ruas da armargura digam-me lá se vão continuar a pagar-lhes menos que aos homens a não as remunerar pelo trabalho doméstico a deixar que sejam preteridas em prol de homens no seu ambiente de trabalho e outras coisas pouco decentes que nem o senhor sampaio tem os ditos necessários para dizer que é uma realidade e muito menos para lhe pôr um fim nem o senhor sócrates admite não fosse ele um homem menino da mamã que aposto que nunca fez a cama nem lavou a loiça senão quando lhe interessava mostrar-se solícito para pedir mais vinte mocas de semanada claro está nem o senhor presidente da assembleia da república acha estranho e nem se preocupa em perguntar sequer se alguém tem alguma proposta concreta e eficaz para repôr a justiça em relação às mulheres e ao seu desfavorecimento ou algum desses dotoures cheios de diplomas marcelos rebelos de sousa e adrianos e louçãs e outros pseudo-democratas quem é que vocês querem enganar com as vossas pretensas ideologias da justiça digam lá se vocês já se acham tão melhores do que as mulheres como é que podem acreditar que estamos num estado de justiça vocês que não mexem uma palha para fazer coisa nenhuma que altere a vossa tão apreciada hegemonia masculina ai o que eu gostava é que o arrastão fosse contra vós que além dos 'marginais de raça africana' discriminam legal e despuduradamente toda e qualquer femea e só espero que a vossa próxima encarnação vos dê uma vagina que possa ser violada como a das mulheres que vocês apregoam nesta que protegem que vos dê também um corpo menos musculado que sucumba aos murros e às porradas dos outros homens e que vos obrigue a contar os cêntimos e não os euros para se manterem à tona da água até ao fim do mês e esfalfados de trabalhar em casa e fora dela e a arrastar os filhos atrás que é coisa que macho nenhum sabe o que é e era bem feito e esta vida dá tantas voltas que vamos chegar a isso graças a deus que na vossa opinião também é macho e por isso mais tarde ou mais cedo também há-de sentir na pele as vicissitudes deste mundo criado à sua imagem e semelhança amém
publicado por manchinha às 14:44

Junho 13 2005
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e no entanto acredito em anjos vá-se lá saber porquê acho que nasci assim a acreditar em anjos o que parece não estar muito de acordo com o facto de não acreditar em deus mas na minha opinião tem de facto tudo que um faz-se surdo quando a gente precisa e os outros estão lá mesmo quando a gente acha que não estão coisa que me faz acreditar na insuspeitada tendência deste universo para o equilíbrio mas claro hão-de então perguntar-me o que é e como é isso de acreditar em anjos e eu digo-vos já que não tem nada que ver com fé que essa palavra faz-me ranger os dentes lembra-me que temos sempre de provar alguma coisa relaciono-a logo com a insegurança ou a política psicológica de minar a auto-confiança do parceiro do lado uma coisa tão portuguesa tão manipuladora tão salazar tão eu-sou-o-mais-forte-por-isso-tu-estás-aqui-pra-ser-lixada coisa que me é difícil de engolir já os anjos eu cá relaciono-os com a ternura com a capacidade de se ser bom sem esperar nada em troca é que deus esse parece que quer sempre qualquer coisa a começar por uma crença sem limites nem condições neles como se houvesse alguma coisa nete mundo supostamente criado por ele que não tivesse ses de condições e regras e essas coisas que definem a condicionalidade dos status pois então já os anjos esses não se armam em deuses aparecem e ajudam e já tá são uma espécie de acasos providenciais nessa categoria de causas e efeitos demasiano numerosos para sermos capazes de manter com clareza dentro das nossas capacidades de raciocínio agradam-me portanto muito mais os anjos que deus até porque deles eu já tenho mais experiência e de deus continuo sem népia mas não faz mal que eu não quero dizer aqui que não devem ou é tremendamente mau acreditar em deus deus me livre de tais enunciamentos não senhoras o que eu digo é que sou livre de dizer que não acredito em deus e não vejo por que é que isso se há-de tornar num foco de discussão por que é que isso não há-de ser o meu ponto de vista e por que é que isso tem de chocar alguém não tem digo-vos eu porque também há quem não acredite por exemplo na igualdade das mulheres como seres humanos em relação aos homens e isso sim é chocante não uma ideia de deus que não se põe ao lado de outras por favor os anjos por isso são muito mais conciliadores nem provocam essas paixões nem creio que alguma vez tenha havido guerras santas por causa deles nem que tenham queimado alguém na fogueira por isso e por isso fico-me pelos anjos porque é assim mesmo já em pequenina me parecia que andavam por aí e isso é reconfortante porque nunca me assustaram nunca me ameaçaram de castigo ou de pecado e é disso que eu gosto que me tratem assim com um voto de confiança em vez de me condenarem à partida com pecados suspensos da cabeça aos pés até morrer que me obrigam a viver em pânico como se tivesse um patrão sempre a ameaçar-me de despedimento vocês eram capazes de trabalhar assim sempre a serem lembrados do despedimento pois isso é que me faz confusão como é que se pode ser feliz se o pecado leva ao inferno e está presente do berço ao leito de morte não eu quero uma coisa assim mais do tipo não te chateies porque ninguém te está a chatear topam já agora voltamdo aos anjos eles são fofos embora em verdade vos diga que às vezes não têm mesmo nada daquela aparência anjélica e inocente de que estão sempre a falar mas não me assustam digo-vos eu
publicado por manchinha às 09:58

Junho 09 2005
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estou vivo graças a deus não é bem bem o que queria mas já é alguma coisa graças a deus deus escreve direito por linhas tortas correu tudo bem graças a deus que raio que porra parece que já se foi todo o senso comum que raio qual é a vantagem de ter um gajo a quem agradecer as coisas quando correm mal ou agradecer porque correram bem o que é isto alguma espécie de budimo da velha vaga a fazer carreira para masoquismo de primeira linha vê lá se não chega senão lixo-me a mim próprio em dez lições sem mestre que raio de lógica tem isto de acreditar que há um gajo a proteger todo e qualquer camelo e que quando não o faz está a pôr-nos à prova em vez de se estar pura e simplesmente a cagar para nós ou melhor não passa de um amiguinho imaginário que já devia ter passado à história há que tempos por amor da santa ou lá de quem queiram assumir as nossas falhas e fraquezas já é suficientemente mau não acham que assumir ainda que se pecou ou falhou perante uma super entidade qualquer é obra de grande falta de auto-estima e confiança também mas eu não bos entendo raios que se passa com todo o mundo tsunamis não são obra de deus nem do diabo são coisas de causa e efeito de senso comum e as consequências para o comum dos mortais são simplesmente arbitrárias dada a nossa total e absoluta falta de capacidade para ajuizar todas as componentes de fenómenos que vão além do simples café com leite logo de manhã e sim estamos sozinhos claro o que é que estavam à espera que os ovnis fossem anjos ou deuses mas para isso temos hollywood e bollywood também caramba não é difícil de sacar
publicado por manchinha às 11:02

manchas negras, cinzentas e brancas em todos os cantos da nossa vida. que fazer senão chocar de frente com elas e esperar que o acidente tenha consequências notáveis?
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