manchinha

Março 24 2004
O prazer mata, não me digam que não. O prazer mata todos os dias um bocadinho, de cada vez que nos apercebemos que existe e que é possível. De início, acreditava que a busca do prazer era o mal de todos os remédios, a mezinha para as minhas e as maleitas dos outros. Vivi anos nessa ilusão, mas vi a luz. Aos poucos e poucos fui-me apercebendo da mentira e hoje não tenho dúvidas.
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A minha amiga Z. era uma adolescente alegre, espirituosa e bem disposta. Tinha um imenso prazer em nos ccomunicar a todos o que pensava. Um dia, à mesa, disse que nunca se casaria. O pai perguntou-lhe o que queria dizer e ela explicou: estava disposta a amancebar-se, quantas vezes fossem necessárias para viver o que mais gostasse com cada um dos seus amantes. O pai levantou-se e ferrou-lhe uma valente bolachada que a estatelu no chão. Hoje, a Z. está casada há 20 anos, tem mais 35 quilos do que tinha na altura, quatro filhos e já sofreu dois ataques cardíacos.
A B. era uma mulher espectacular, feminina, brincalhona. Trabalhava na mesma empresa que o marido. Ele deixou-a por uma garota pouco mais velha que as filhas e aproveitou para mudar de empresa, de carro e de amigos. Os superiores imediatos da B. foram uns queridos, apoiaram-na, elogiaram-lhe o trabalho, ofereceram-lhe novas responsabilidades e, à vez, foram-se insinuando junto dela. Mas a B. tinha lá as suas convicções e nunca cedeu. Um dia, um morenaço com ar de artista de cinema convidou-a para sair e a B. resolveu que tinha chegado a altura de pôr para trás as más recordações. Uns meses depois os superiores hierárquicos começaram a descontar-lhe os minutos passados ao telefone com o namorado, acusaram-na de andar com a cabeça no ar e de estar a prestar um péssimo serviço à empresa. B. acabou por ser incluída no número de trabalhadores dispensáveis durante uma reestruturação e foi para a rua com a indemnização de lei. Na casa dos 40, B. nunca mais conseguiu outro emprego. Envelheceu, anda sempre adoentada e foge dos poucos amigos que têm tempo para a procurar.
M. era uma garota divertida e sociável que frequentava diariamente um grupo de amigos jovens e prometedores como ela, acabados de sair da faculdade. Juntavam-se nos tempos livres e faziam imensos programas juntos. Um dia conheceu um rapaz e começaram a namorar. Na primeira ocasião, M. levou-o consigo e apresentou-o ao grupo. Um dos amigos que conhecia dos primeiros anos do curso, que julgava ter nela a sua futura companheira, perdeu a cabeça e agrediu os dois. M. acabou no hospital, com vários golpes graves que lhe marcaram definitivamente a cara.
A T. que tem pouco mais de 30 anos, tinha o emprego perfeito, a casa perfeita e marido perfeito até descobrir que tinha contraído uma doença venérea grave. Confrontou o marido com o facto, ele acusou-a de o ter traído e sovou-a valentemente por conta da sua suposta leviandade. T. tentou deixá-lo, os pais tomaram o partido dele e acabou por ficar só, sem o apoio da família. Há pouco tempo soube que o ex-marido tinha sido infectado com VIH e que a sua actual mulher também contraiu o vírus. Mas a família continua sem lhe falar.

O prazer é como o colestrol: há-o bom e mau. O mau é o nosso, o bom é o dos outros.
publicado por manchinha às 17:29

ena, Pilantrinha... tenho de te convidar para blogar aqui comigo :)Manchinha
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(mailto:yrleathergrl@web.de)
Anónimo a 30 de Março de 2004 às 13:07

Ah!... desculpem-me: BOM DIA!PilantraX
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Anónimo a 30 de Março de 2004 às 11:37

Este sistema (ou eu, anti-escritante) não fez o parágrafo. Imaginem um novo parágrafo, o segundo, a começar em «Uns velhinhos...». E ficam dentro do meu espírito. PilantraX
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(mailto:)
Anónimo a 30 de Março de 2004 às 11:35

A vida não presta, Lótus? Presta sim. É por isso que tem o não-presta. Precisas é aprender a saltar de pedra em pedra. Eu já tenho caído na ribeira, até já parti um pé, outras vezes fico com dores de dentes. Mas saio de lá sempre mais lavadinha! Saltar aquece, cair arrefece., Mas não saltes ao pé coxinho, usa sempre a volta da macaca: dois pés na pedra, dois pés na ribeira, plof, molha tudo em redor.

Uns velhinhos que houve, faz um tempão e que se autoproclamaram os pitagóricos, disseram que, digamos assim, era absolutamente necessário que existissem dez «planetas» para o Mundo ser perfeito e, como o Mundo é perfeito (só pode ser, por definição), teriam de existir dez «planetas» e esse décimo seria o Antiterra. Agora os modernos encontraram o décimo e chamaram-lhe a deusa do gelo. Os modernos (aliás post modernos) são loucos, porque toda a gente nota que a temperatura da Terra está a subir.
Diz-me: onde está o erro do meu raciocínio?
De qualquer modo, Antiterra está sempre certo porquanto implícitante.
Espero não te causar nenhuma nevralgia do trigémio.PilantraX
</a>
(mailto:)
Anónimo a 30 de Março de 2004 às 11:29

beijos retribuídos. :)Manchinha
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Anónimo a 30 de Março de 2004 às 02:40

A vida não presta ... simplesmente isso ... não é justa nem tão pouco fiável ... e as pessoas também não prestam ... senão a vida seria muito mais fácil ... uma visão triste mas real .. bom texto ... beijokas ***Lótus
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Anónimo a 30 de Março de 2004 às 02:14

Prazer em conhecer-te manchinha. A apostar pelo que vi, não virei aqui uma vez,mas muitas. gostei da tua visita, és mais alguém a saber.:)***susana
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(mailto:susana229@sapo.pt)
Anónimo a 29 de Março de 2004 às 03:59

a penumbra é aconchegante, concordo. mas eu adoro os dias de sol ;)Manchinha
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Anónimo a 29 de Março de 2004 às 01:21

olá eu. olha, se a metáfora não se percebe, é porque não a soube apresentar... so sorryyyyyyy :)
- que me perdoem as mulheres, porque a metáfora era sobre elasManchinha
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Anónimo a 29 de Março de 2004 às 00:56

Manchinha, o que acho mesmo é que o melhor prazer é o nosso... até o partilharmos com os outros... É por isso que sabe tão bem viver assumidamente na penumbra ;-)Assumida Mente
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Anónimo a 26 de Março de 2004 às 19:29

manchas negras, cinzentas e brancas em todos os cantos da nossa vida. que fazer senão chocar de frente com elas e esperar que o acidente tenha consequências notáveis?
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