manchinha

Novembro 12 2005
a salomé é que a sabia toda se bem que eu já não me lembre muito bem qual era a linha empresarial que ela prosseguia o que também não faz a mínima diferença ainda me lembro das tacinhas de barro com marmelada que a minha avó punha nos parapeitos das janelas a secar com um bocado de papel vegetal por cima para não apanhar sujidades era igual ao litro porque a gente passava com as mãos suadas e carregadas de porcaria da brincadeira e enfiava lá os dedos para os lamber ao jantar é que eram elas ficávamos sem sobremesa de castigo pelas dedadas denunciadoras e a sopa nunca mais acabava tal era a antecipação do castigo voltando à salomé que na bíblia trocava a beleza por degolados aqui não era essa mas também viva de qualquer coisa ligada à beleza nunca percebi bem só sei que usava uns perfumes estonteantes não se podia era almoçar com ela que se ficava enjoado de odores até ao dia seguinte ao jantar já não era tão mau que já tinha saído há umas quantas horas de casa e do frasco de perfume sempre era mais fácil conviver com ela mas passava o tempo de restaurante em restaurante de bar em bar sem compromisso com escritórios ou patrões mas conhecia tudo o que era gente e um dia estava ali ao pé do elefante branco na tabacaria ao lado à espera que a dona gertrudes me trocasse a milena para pagar o táxi quando ela saiu do night club fresca e perfumada como sempre olá então por aqui o tipo que estava com ela parecia que vendia burricos em acampamentos de ciganos e não dizia a bota com a perdigota que a salomé era uma menina bem com quilos de pulseiras pelo braço fora e olhos azuis água daqueles que parecem estar sempre húmidos enfim trocámos amenidades e lá foi ela para o mercedes do vendedor de burricos e foi assim que fiquei a saber mais ou menos o que a salomé fazia nessa altura ainda não se discutia a sida com propriedade só havia bichas na consulta de ginecologia de oncologia ali a são sebastião até parecia que faziam ali turnos vindas de monsanto do intendente e de benfica iam à especialista como diziam ou às receitas de antibiótico e fungicida lembrei-me disto agora que morreu a prostituta em viseu com sida agora andam os pais e avós e tios e senhores doutores todos preocupados agora é que são elas andavam todos a prestar-lhe assistência e era do melhor que ela não se importava que não usassem preservativo agora anda tudo a fazer contas à vida que se calhar já não vão a tempo eu cá não estou a pensar nos pais e doutores não senhora o que me faz impressão são as contas que vão ter de fazer as mamãs e avós e tias que nem sequer sabiam do preservativo e as mais das vezes nem sabem de coisa nenhuma mas vão engrossar as estatísticas dos infectados com a imunodeficiência viral é que ainda não se lembraram de estudar antibióticos mentais para esses homicidas anti camisinha vai ser lindo vai um dia se alguém se lembra de os meter em tribunal por homicídio
publicado por manchinha às 03:28

nem mais... estou a pensar concretamente em dois ou três figurões locais que molharam bem o bico. bem, penso mais nas mulheres deles...manchinha
(http://manchinha.blogs.sapo.pt)
(mailto:e_manchinha@sapo.pt)
Anónimo a 12 de Novembro de 2005 às 19:24

Vai ser lindo vai!... E mesmo assim, nesse dia da sentença ainda muitas vão pensar que metade é exagero dos jornais e outras tantas não vão perceber, sequer, o que estarão lendo!Samartaime
(http://abracadabra.weblog.com.pt/)
(mailto:samartaim@yahoo.com)
Anónimo a 12 de Novembro de 2005 às 18:56

manchas negras, cinzentas e brancas em todos os cantos da nossa vida. que fazer senão chocar de frente com elas e esperar que o acidente tenha consequências notáveis?
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