manchinha

Outubro 31 2005
eu ia tanta vez à praia até fazia impressão vocês haviam de ver que eu não era como as manas não me queimava não senhora um dia até apanhei uma insolação daquelas valentes lembro-me que foi um problemaço para tirar o fato de banho parecia um tomate inchado só faltava escorrer o sumo em vez disso escorriam-me as lágrimas porque nem água fria podiam pôr-me arranjei a bonita uma semana de molho em tratamento e toda a gente no bem bom que eram as férias e foi assim que descobri que o kal-el era o super-homem e o rapaz-de-chumbo muito mais amigo dele que a moça-maravilha mas a quem eu achava graça mesmo era ao luthor carequinha que me parecia um carente dos diabos outra coisa que eu descobri era foi que o colega lingrinhas da minha irmã mais velha se esgueirava às tardes para o prédio que ficava nas traseiras do nosso e pisgava-se lá para as quatro e meia quando os papás chegavam a casa e quem morava lá era uma das meninas-modelo do liceu daquelas que iam à missa das seis e que frequentavam a mocidade portuguesa e os escuteiros ela também andava de volta das flores na igreja mas isso já era por causa da minha amiga m.c. que eu bem a via a oferecer-se para a ajudar a dobrar os paninhos ou as cortinas ou lá o que era da sacristia e no fim deitava-me mau olhado quando a m.c. largava o expediente para ir para a esplanada da riviera comigo se bem que a gente fosse lá por causa das torradas mistas eu pelo menos ia a m.c. acho que era mais pelas vistas que a cabeça dela parecia uma antena parabólica dessas que giram sem parar a tentar apanhar as comunicações dos e.t. sendo que naquela altura as únicas e.t. éramos nós ali numa esplanada cheia de gente a fazer de conta que estava solteira numa cidade onde toda a gente se conhecia pelo nome próprio está-se a ver que aquilo era tudo uma cambada de aspirantes a mentirosos já que todos pregavam a mesma peta mas era fresco ali e sempre ficava na praça com mais movimento por isso se queríamos ver um acidente de viação ali era o sítio mais provável porque apesar de só passar um carro de vez em quando como ia todo o mundo a olhar para as esplanadas e as pernas nuas nas esplanadas havia sempre um ou outro acidentezito uma discussão para fazer render nem que fosse só um arranhãozito no capo que quando farta o divertimento há que inventar lá isso há e foi assim também que fui alternando entre as tardes na biblioteca e os finais de tarde à frente das torradas mistas e dos mazagrins gelados e do fumo do cachimbo dos caçadores-guias que bebiam uísque gelado como quem se prepara para enfrentar quarenta dias no deserto
publicado por manchinha às 01:06

Esse final podia ser uma história da porta do Scala ou do Gil Vicente... «uns quilómetros» mais a sul! E as meninas... eram meninas, evidentemente!Samartaime
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(mailto:samartaim@yahoo.com)
Anónimo a 9 de Novembro de 2005 às 10:58

Torradinhas e mazagrins... hum... saudadesJulinha
</a>
(mailto:julinha@hotmail.com)
Anónimo a 1 de Novembro de 2005 às 13:50

Só li o título, mas iam umas torradinhas mistas ou não mistas agora, lá isso iam! E então ao som da Patricinha ainda ia melhor!Samartaime
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Anónimo a 1 de Novembro de 2005 às 03:49

Ai que bem que sabia agora a praia e a esplanada!!!Assumida Mente
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Anónimo a 31 de Outubro de 2005 às 13:59

manchas negras, cinzentas e brancas em todos os cantos da nossa vida. que fazer senão chocar de frente com elas e esperar que o acidente tenha consequências notáveis?
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