manchinha

Outubro 22 2005
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mas o que é que importa a seriedade afinal se nada é nem excessivamente sério nem aparentemente tão pouco sério que não possa ser ignorado desconsiderado e já agora lembrei-me que o bom era ter um frigorífico desses com despejador de gelo na porta assim como assim nunca bebo água que não seja gelada nem no Inverno e já agora também gosto de pôr gelo em tudo o resto embora as natas batidas com gelo não fiquem nada bem se não levarem um bocado de icing sugar à mistura outra coisa importante é ter um tupperwear redondo suficientemente grande para guardar as panquecas no frigorífico que eu cá gosto de me levantar de manhã e fazer café e ter uma panqueca fria à mão para ir mordiscando enquanto beberrico a ler as notícias depois dá-me a fome da fruta mas por essa altura já vou nos blogs a tentar decidir a que é que respondo às vezes fala mais alto o senso comum e não escrevo nada eu bem sei que de vez em quando exagero nos comments e alguém fica verdadeiramente passado mas não é para levar a mal vocês sabem lá o sufoco que eu passava quando era miúda a gente vivia lá para o interior em Moçambique e todos os meses chegava um caixote da livraria com livros para nós as crianças e livros para eles os adultos e a minha mãe que sempre foi muito prática dividia parcimoniosamente os livros em quadrinhos e os de histórias romances e aventuras pelas quatro semanas do mês e assim era suposto a leitura chegar para os trinta ou e um dias mas não chegava digo-vos já que não chegava via-me aflita pelo menos metade do mês deve ter vindo daí o problema agora com o dinheiro só que ainda dura menos mas voltando à vaca fria a leitura era curta e à hora da sesta eu não tinha outro remédio senão esgueirar-me para as estantes dos grandes e ler tudo o que apanhava à mão foi assim que me inteirei de que havia um mundo corin tellado e outro western e outro em que a trama era mais nebulosa não percebia muita coisa mas ao menos lia e foi com grande apreensão que aceitei aos treze anos das mãos da minha mãe a forca na areia do morris west porque já estava em altura de ler livros para adultos e eu tinha medo que ela percebesse que já estava tudo lido e que finalmente o meu pecado de quase sete anos ia ser descoberto que as mães são assim uma coisa incompreensível de cheiro-te à distância mas não correu tudo bem li o livro e apresentei-me para o comentar com ela expliquei-lhe o que tinha percebido respondi-lhe às perguntas e ficou satisfeita eu aliviada estava a ver que daquela não passava e a seguir aproveitei para lhe perguntar se podia ser eu a escolher o próximo não havia problema disse ela a estante era aberta para mim e depois disso foi tudo bem mais pacífico até li as três sereias do irving wallace que naquele tempo os maridos proibiam às mulheres porque se passava numas ilhas dessas que os americanos inventam em que as nativas eram naturalmente generosas no coisar e por isso aquilo era uma espécie de paraíso julgavam eles só que o coisar não afasta as discussões e foi isso que aconteceu e por isso o livro não se dava às esposas porque podiam pensar que podiam fazer a mesma coisa ou que isso era o paraíso mas não o coisar à vontade é o paraíso dos homens isso entendi logo e a seguir passei a frequentar a biblioteca pública que era um paraíso de sombra e frescura e vazia como um útero e aí podia ler ainda mais livros o meu cartão dava para tudo que a bibliotecária era um espírito livre que acreditava na leitura livre e o meu cartão era jovem mas ela anotava os títulos das prateleiras jovens de cada vez que eu levava o tagore o shaw o john dos passos a minha vida passou a ter uma hora da sesta no paraíso
publicado por manchinha às 10:59

bem eu também passava as tardes lá dentro porque era fresco como o raio e a beira sempre foi uma seca de quentura que não se podia andar cá fora entre as dez da manhã e as cinco da tarde e ao menos ali a gente entretinha-se e não suava e também havia um par de olhos azuis muito interessantes se querem saber ó Joca olha que era tudo com a melhor das intenções já sabesmanchinha
(http://manchinha.blogs.sapo.pt)
(mailto:)
Anónimo a 31 de Outubro de 2005 às 00:48

Bem... Já vi que me entendes.Joca
</a>
(mailto:jokita@yahoo.com)
Anónimo a 26 de Outubro de 2005 às 09:44

EU FAÇO IDEIA A HORITA!....Samartaime
(http://abracadabra.weblog.com.pt/)
(mailto:samartaim@yahoo.com)
Anónimo a 26 de Outubro de 2005 às 00:50

Ah... Então era isso que fazias horas e horas lá dentro?Joca
</a>
(mailto:jokita@yahoo.com)
Anónimo a 23 de Outubro de 2005 às 13:30

manchas negras, cinzentas e brancas em todos os cantos da nossa vida. que fazer senão chocar de frente com elas e esperar que o acidente tenha consequências notáveis?
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