manchinha

Julho 27 2005
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houve uma altura em que a principal ocupação diária era contar mortos qualquer tipo de mortos em acidentes crimes desastres naturais atentados guerras epidemias ganhavam claro os mortos aos magotes a menos que fossem ilustres tivessem segredos sórdidos essas coisas interessam sempre mais do que quando se é completamente feliz morrer naturalmente nunca deu glória a ninguém por acaso até me mete espécie por que raio fazem um tão grande festival quando a gente nasce nos aniversários é o mesmo sempre a prometer realizações de sonhos e essas coisas ao morrer é que não só se vira boa pessoa nunca se tem pecados ou defeitos é mesmo assim agora na altura em que eu contava mortos por acaso nem era a única chegávamos à redacção às oito da manhã e toca a ouvir o noticiário à procura de calamidades terramotos e revoluções bombardeamentos também contam raides fronteiriços nos países africanos são uma mina o problema são as fontes não atinam em relação o número exacto de vítimas abatidas diz-se sempre abatidas quando é à queima-roupa às vezes enganamo-nos que eles matam-se com armas que a gente não se lembra porra as catanas são banais mas há cada uma como aquela das garrafas de vidro partidas amarradas por cordas é preciso ter-se um raio de uma imaginação para matar pessoas digo-vos só às vezes calhava-me telefonar para hospitais polícias bombeiros sabe-se sempre quem morreu é uma beleza o segurança das urgências adora conversar vê-se logo os pormenores que ele avança credo é preciso muita estômago para falar em tanta porcaria não prostitutas não que isso é o pão nosso de cada dia a gente nem pode ter a certeza que não morreram de overdose ou sida é sempre a mesma coisa com essas gajas então quem é que tem mais puxa-se para o destaque o maior grupo de mortos tá claro quem escreve até direito a um sorriso palmada nas costas o chefe fica mesmo contente é o que dá ter costela de abutre não vale a pena pedir para escrever sobre o novo livro da lídia jorge depois de tantos mortos não tem importância nenhuma nem sequer há gente para ler tanto livro nem sei para é que editam tanta merda não sei para que é que tás a desfazer nos livros se julgas que alguém lê a merda das notícias são só os títulos o resto é para dar corpo assim como assim a malta já se habituou a ver as letrinhas por baixo dos títulos a contar mortos passa-se depressa o dia sempre é um objectivo não se pensa nisso durante o café no corredor a fumar um cigarrito à conversa quando se chega a casa o cheiro dos mortos não chega às notícias às vezes vinha-me nos sonhos é dum caneco acordar assim com um cheiro desses a varrer-nos a noite
publicado por manchinha às 14:53

sacode! safa, lá vem a conversa dos mortos outra vez...Malina
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(mailto:malina@yahoo.com)
Anónimo a 30 de Julho de 2005 às 20:11

sacode! safa, lá vem a conversa dos mortos outra vez...Malina
</a>
(mailto:malina@yahoo.com)
Anónimo a 30 de Julho de 2005 às 20:10

safa, amiga, que estás quase como eu, a debitar referências à velocidade da luz... lolllllMancha
(http://manchinha.blogs.sapo.pt)
(mailto:e_manchinha@sapo.pt)
Anónimo a 29 de Julho de 2005 às 09:13

Epá, acelaráste e foste por aí fora... Mas eles querem é números, pois os mortos não dão entrevistas. E a maioria dos vivos não está para ler mais de duas linhas, pois à terceira já se esqueceram do que se dizia na primeira e tem que se preservar o cérebro para o novo telemóvel da Ericson, o Record, a Caras, a "gaja boa" do piso de cima ,a Lux, o carro XPTO .. e para o n.º de mortos, que fica mal não saber quantos lerparam naquele dia.Laura Sal
(http://www.tueocao.blogspot.com)
(mailto:laurasal@clix.pt)
Anónimo a 29 de Julho de 2005 às 08:48

manchas negras, cinzentas e brancas em todos os cantos da nossa vida. que fazer senão chocar de frente com elas e esperar que o acidente tenha consequências notáveis?
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