manchinha

Julho 19 2005
às vezes a gente tem arrepios nem sabe bem explicar porquê vem um anjo e roça-nos ao de leve com uma asa nos ombros dizia a minha avó é sempre um conforto pensar assim mas nem sempre os arrepios são bons deve ser o anjo a dar-nos um açoite ou a sacudir-nos para a realidade o pior é que eu nem assim acordo tenho uma dificuldade terrível em manter os olhos abertos sou desconfiada lá isso sou não adianta é muito nem com a asa do anjo não vale a pena apanham-me sempre de surpresa a minha cara-metade esconde-se em qualquer lado para me saltar ao caminho é claro que quem salta horrores sou eu já a minha filha faz o mesmo que raio de mania vivo em intranquilidade se julgam que me faz rir só se for de angústia a propósito quem leu quem leu hã o ensaio do senhor henri bergson sobre o riso como sintoma de angústia coisa genial deve ser por isso que os portugueses inventam anedotas a propósito de tudo é uma angústia pegada estar sempre em crise sem hipóteses de a combater aqui os guerreiros são combatentes de causas vencidas antigamente chamavam-se escravos gente cinzenta sem esperança agora é luso o povo que só pinta a cara com a bola ele é vermelho de sangue que gostariam de ver derramado mas assim em tintas é mais higiénico sobretudo agora com a história de que tudo se transmite pelos fluidos também temos o verde que é a esperança embora só se for de que as árvores voltem a crescer depois dos incêndios antes que os governantes concedam finalmente licenças de construção e urbanização para centros comerciais grandes superfícies de cimento feito para nos endividar ainda mais e ainda há o amarelo que para os chineses é luto para outros corbadia e traição estamos lindos estamos com as cores que temo a bem dizer só temos é cores mesmo a ssim a paula rego deu às de vila diogo e foi usar as cores para outras bandas acontece sempre o mesmo se vivesse aqui era vê-la a papar cocktails para sobreviver que sempre se come de graça nas vernissages assim como assim é-se pobre com borlas temos tendência para arranjos de cortinados ó anjo passa lá a tua asa aqui pelas minhas costas a ver se posso fechar os olhos e continuar a sonhar imagino o que se gastaria noutros países com tanta gente sonâmbula aqui até a lienação é pobre ao sol caramba que é para isso que temos boas praias
publicado por manchinha às 17:43

manchas negras, cinzentas e brancas em todos os cantos da nossa vida. que fazer senão chocar de frente com elas e esperar que o acidente tenha consequências notáveis?
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