manchinha

Julho 09 2005
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agora que se me acabaram as bombas tenho de recomeçar a pensar a vida como uma coisa normal não é que tenho dificuldade em me lembrar do que é essa vida normal não sei mesmo caramba passa-se tanta coisa que se me esgota a anergia só de me lembrar por que raio de razão havemos nós de ter de esgravatar tanto por tão pouco pelo menos para a maioria é tão pouco mas tanto tanto o que se escava e trabalha e constrói e arruma e tanta coisa para tão pouco resultado já me faz lembrar aqueles artistas que respondem finamente e sem a mínima originalidade mas perdoa-se-lhes claro que se lhes perdoa que em cem obras um punhado sai bem e uma é realmente boa isto sim é que deve ser o resultado do pecado original andar para aqui a fuçar como uma cadela para tão poucos resultados já viram bem que raio de vida a gente leva a matar-se para conseguir qualquer coisa que afinal dura um ou dois minutos e depois espremido que mais há que fica que resta a lembrança do bem que se fez e que é isso uma lembrança come-se deita-se em cima usa-se no toilete há tão pouco uso para o que fazemos bem mas se houver sorte o tal factor arbitrário que se atribui ao destino a deus e a outras sandices então talvez seja como a coca-cola só que não sei bem se queria ser a inventora da coca-cola porque com certeza eles já tiveram montes de processos por causa dos buracos no estômago que abrem nas pessoas e eu ó não sei se conseguia dormir para o resto da vida a saber que a minha invenção que por sinal me podia até pôr a dar topadas entediadas em colherzinhas de açúcar de ouro maciço se me apetecesse e se eees fosse o meu gosto mesmo que duvidoso eu não sei se mesmo assim conseguia dormir pois imaginem que quem ficava com um buraco no estômago primeiro era uma pessoa que eu não conhecia e até aí tudo bem mas depois era uma ciança por exemplo estou só a pôr hipóteses não é nada de concreto valha-me nossa senhora e deixa-me cá bater na madeira não vá o diabo tecê-las mas imaginem só que era diacho uma pessoa não fica a bater bem com uma coisa dessas pois não ou então que era uma pessoa que eu amava de todo o coração vejam lá o que me dava no estômago que era maior que um buraco com certeza mas não me matava isso não que a morte é pouca nessas situações não que a gente tem de viver com coisas bem piores que a morte só que não sabe ou melhor não admite e passa a vida toda às voltas na cama e na cadeira e por todo o lado com essas coisas que nos moem de remorsos de culpa e não me venham cá os terapêutas da pinha dizer que tá tudo bem que eu sei que não está ou dizer que para tudo há remédio que não é com xanax que a gente mata a culpa ou o remorso ou o que evidentemente não planeámos ou falhámos em antever isso é que é verdade que a gente se farta de falhar e depois vive a torcer-se de impotência vamos a ver e o que me falta é coragem para estar nesta vida de cara impávida mas também não percebo que raio de objectivo é o nosso assim armados de consciências para as quais não temos dispositivos de adaptação sim porque o que acontece é que a gente não tem sistema anti-culpas e outros que tais por isso por mais que gente se esforce lá estará sempre a p... da consciência a pôr-nos o dedo na ferida e contra isso não há mezinhas nem chazinhos nem nada é claro que se a gente matar neurónios com charros coca e heroína e morfina e essas coisas talvez ajude mas depois se nos dá o arrependimento ou nos calha a horrorosa lotaria de ser daquela minoria que se limpa e conta um a um os dias que está limpa ó deuses de que nos serve tanta tentativa de adormecimento se depois é só para acrescentar mais um arrependimento
publicado por manchinha às 13:15

manchas negras, cinzentas e brancas em todos os cantos da nossa vida. que fazer senão chocar de frente com elas e esperar que o acidente tenha consequências notáveis?
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