manchinha

Junho 16 2009

ainda hoje sigo aqui e ali linhas filas frases aos bocados sabe-me a muito ou a pouco sinto-me incapaz de memorizar tudo por isso releio revisito volto a procurar e a encontrar não há prazer maior que o de ler e escutar num fechamos os olhos ao que se passa à volta para olhar para outras paragen noutro fechamos os olhos para ouvir as impressões de outros olhos de qualquer forma perco-me nos sons das palavras escritas ou sugeridas ditas ou nem por isso pergunto-me sempre que relação têm todas elas com o resto do mundo as limitações que afinal sentimos quando abrimos os olhos e deparamos com o que nos rodeia e nem por isso sabemos bem o que fazer perdida no meio de tudo faz-me falta um fio a que me agarrar e que me conduza assim como se não tivesse olhos só a sentir o toque de um cordel a passar-me pela mão enquanto avanço pés nus a pisar às cegas chão desconhecido poeiras pedras caminhos lisos erva húmida areia quente falhas vertigens incertezas aventuras que sei eu senão que avanço às cegas mesmo de olhos abertos

publicado por manchinha às 14:43

Abril 18 2009

se eu fosse pesar e somar coisas era um ver se te avias de bagagem a carregar pela vida fora assim fazendo como se não pensasse mas a não me esquecer de pensar nas alturas certas ando por aí de t-shirt literalmente e não me sobrecarrego com pesos a mais só com aquilo que posso carregar e pouco mais vai-se andando e vai-se vendo que esta vida são dois dias e não há necessidade de encher um dia com coisas a mais quando o a seguir vem lá com mais espaço para coisas do que este enfim o que eu quero mesmo salientar é que não vale a pena estar sempre a elaborar sobre o que se tem de fazer porque tudo se vai fazendo umas coisas a seguir às outras e tem-se sempre as mãos cheias por isso não vale de nada andar com tudo atrás e isso não é superficialidade nem inconsciência porque somos muito capazes de nos lembrar de tudo e ir fazendo o que há a fazer sem ser preciso sonhar com isso de véspera ou com meses de avanço envenenando os nossos dias e as nossas noites com uma espécie de natais ou julgamentos ou festas ou tormentos que assim levam uma ida inteira e não apenas o seu momento próprio se é que me faço entender

publicado por manchinha às 14:45

Março 30 2009

eu que até gosto de ler quase desanimo perante o imenso volume de livros que usa o truque do mistério à la policial para espevitar a narrativa ó caramba eu gosto que me contem histórias e não têm de ser policiais porque para isso tinha ido para a força da lei e enchia-me de merdas dessas todos os dias até enjoar o que eu gosto é que me embalem com uma narrativa bem pontuada em doses certas de acção contenção reflexão surpresa qb e um final mais ou menos feliz

publicado por manchinha às 22:52

Janeiro 07 2009

tenho uma receita para o amor das que se espalham na boca mesmo ainda antes de estarem prontas enquanto se preparam com ervas exóticas e paladares doces pequenos golpes de tudo o que pode com tantos ingredientes que é preciso muito mais do que uma cozinha para construir uma receita assim uso música flores olhares pela janela intervalos para deixar fugir os pensamentos gosto de demorar a cortar a comida os legumes em pequenas porções pequenas ideias que me acodem meios sorrisos misturar tudo entre golinhos de bom vinho tinto que o branco não me inspira muito açúcar na sobremesa para adoçar os humores que o meu já vai carregado de felicidades preparado para a espuma de um bom café no final e amena cavaqueira olhos nos olhos porque esta receita é de amor e empatias arrepios em partilhas com subtis lampejos nos olhares

publicado por manchinha às 09:45

Janeiro 06 2009

gosto de passar ali ao lado onde vou buscar o leite e o pão depois de ouvir a carrinha do leite a chocalhar pela rua abaixo lá vou eu para a snowley parade correr as lojas e passar à frente do sítio em que põem as flores vêm-me o cheiro de cada ramo que me encanta alegram-me as cores as pintas o cheiro da terra e a frescura dos brancos vermelhos amarelos gosto de flores com a força que têm de manhã da alegria que me inspiram

publicado por manchinha às 14:44

Janeiro 03 2009

estava aqui a pensar enquanto cai a noite como podem passar devagar todas as coisas tempo a mais para quando se está com pressa ou não sendo pressa quando se espera que alguma coisa venha ao nosso encontro e às vezes nem se deve estar à espera mas neste caso não consigo decidir-me acho que devo esperara embora a espera me aborreça e me pareça sempre que estou a perder alguma coisa assim sem fazer nada o que acontece é que também se tem de dar tempo ao tempo só que pergunto eu a que estou eu a dar o meu tempo ou estarei eu a deixá-lo correr a arranjar desculpas para não agir o certo é que sabe bem não estar sempre a tomar decisões que cansativa é a pressão para decidir decidir decidir até parece que não há mais nada para fazer na vida senão decidir mostrar pro-actividade e essas coisas todas que se inventam hoje para dar a impressão que muito ritmo é um bom ritmo é a coisa certa como se soubéssemos o que é a coisa certa quando se cultiva a acção acima de todas as coisas sem outro propósido do que o de parecer que se é activo há gente que nasceu para acção com certeza mas daí a instaurar o culto da acção parece-me um disparate sendo que não se tem grande tempo para pensar quando se é forçado a estar sempre a agir o que é uma arma imensa para quem não gosta que se pare para pensar há-de trazer um grande lucro esta coisa da acção acção acção não reflexão pelo menos para alguns visto que quem não pensa acaba por se sentir de alguma forma justificado nesta coisa dos ritmos activos da vida ai já estou a dizer disparates ou a dizer mal sei lá

publicado por manchinha às 01:58

Dezembro 08 2008

sou dada a perder-me e não apenas em palavras mas em ruas em pensamentos em imagens em gestos e sons tudo o que me atraia a atenção e perco-me também na alma em tantos caminhos desvios pormenores razões questões afinal que seria do meu mundo sem uns quantos deslumbramentos momentos desperdiçados sem norte mas também sem desnorte vive-se tão intensamente tudo que não é possível nem necessário fazer escolhas quando o usufruto está em qualquer lado detalhe pormenor há uma termenda paz nesta capacidade de me deixar ir com a corrente não resistir existindo apenas para ouvir ver escrever virar a cabeça a um gesto ao mínimo som que beleza há neste fluir seguir perseguir de alma solta ao ritmo da vida

publicado por manchinha às 02:04

Novembro 29 2008

gosto de escrever pelo simples prazer de alinhar palavras e pontes entre mim e as palavras significados relações até porque não sobreviviria sem palavras não me imagino sem palavras mesmo quando são imagens que me surgem há sempre palavras definições declarações diálogos sons palavras bonitas que às vezes soam ásperas surpresas tristes e logo a seguir o entendimento de tudo graças às palavras é fácil viver assim entre palavras

publicado por manchinha às 13:36

Novembro 28 2008

é como estar suspensa em lado nenhum esta coisa da memória e mesmo assim frágil e instável porque se formos a ver toda a nossa vida se compõe de memórias mesmo no presente recorremos a memórias por isso qual é a garantia de que o que estamos a viver é a realidade se uma simples memória pode ser completamente transformada pela nossa mente sendo que não temos a mínima ideia do que é que podemos ou não controlar no universo dos nossos processos mentais

publicado por manchinha às 12:10

Outubro 31 2008

estou em crer que o dia das bruxas devia ser dedicado à mulher não apenas por uns pikenos inspirados sabe-se lá por que maldades terem queimado quarenta e cinco mil pikenas no país durante a inquisição só porque eram ruivas mas porque as mulheres estão sempre sujeitas a sevícias várias durante uma vida a primeira sendo uma educação que as convence de que são menores em tudo e as outras perseguições diversas de igual índole malévola e a maldade continua nos dias de hoje a ponto de haver uma espécie de divisória de personalidade que faz com que poderosos do género masculino se arroguem o direito de se pronunciar sobre liberdades olhando para o lado quando se trata das mulheres que obviamente reclamam como iguais quando lhes convém mas na prática não o são em mais altura nenhuma causa e consequência há que lembrar porque da mesma forma que portugal não tem quase ruivos nenhuns hoje graças ao massacre executado pela inquisição causas e consequências se revelarão também a propósito desta constante discriminação das mulheres a maldade tem as suas consequências e já estou mesmo a ver os pikenos a lerem isto e até a concordarem mas a tirar o corpinho da chuva achando que não é nada com eles mas é e funciona como uma espécie de maldição para o género dito forte causa e consequência apenas sem mais bruxarias à mistura venham cá queixar-se a ver se eu ligo já estou a avisar porque é claro para mim que com estas graves causas são inevitáveis as graves consequências digo isto no dia das bruxas porque só vem a propósito e vós que achais que não sois bruxos vejam lá se atinam antes que algo realmente incontrolável se passe nas vossas vidas

publicado por manchinha às 12:17

manchas negras, cinzentas e brancas em todos os cantos da nossa vida. que fazer senão chocar de frente com elas e esperar que o acidente tenha consequências notáveis?
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