manchinha

Agosto 10 2006

e pela calada da noite é que se via o que de facto acontecia e aquelas palavras prenderam-me caramba estava eu na esplanada com a minha imperial e aminha sandes e não conseguia largar o livro caramba parecia que já não lia há uma vida mas era só como quando lia ao pequeno-almoço antes de se levantarem os de casa e assim passava uma ou duas horas a debicar o café e as batatas fritas e os ovos mexidos e as torradas e o bacon e dali a pouco marchava para os treinos mas o livro não o largava agora olho à volta e n-ao me entra caramba onde é que estão os livros e os alucinados da leitura dos que se põem na praia a ler outra coisa que não a rita ferro ou a margarida rebelo pinto ou o expresso ou a sábado caramba já ninguém se lembra da loucura que era pegar num livro do john dos passos grosso como uma bíblia e devorar aquelas histórias todas encadeadas e a fazer-nos sonhar e que é feito do tempo para ler e que é feito dos livros trocados depois de lidos e do brilho dos olhos de quem passeia pelas prateleiras das livrarias agora não há mais olhares vazios expressões cerradas de quem gostaria mas nem se atreve a pegar em oito nove volumes e levá-los até à caixa hoje não hoje vence a timidez das carteiras sobre o fascínio das letras alinhadas em páginas a fazer-nos sonhar a acordar-nos com a lembrança de que ainda faltam uns capítulos e ainda se pode gozar o prazer de seguir uma boa história uma narração que parece um malabarismo desenhado no ar para nos atingir em plena testa e em pleno coração

publicado por manchinha às 23:41

manchas negras, cinzentas e brancas em todos os cantos da nossa vida. que fazer senão chocar de frente com elas e esperar que o acidente tenha consequências notáveis?
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